sexta-feira, 13 de novembro de 2009

HALL DA FAMA GRENÁ - MÁRIO MATADOR


Eu já tinha costume de ir ao Salvador Costa, ao Kleber Andrade e ao Engenheiro Araripe, vendo Vitória, Rio Branco e Desportiva. Sempre levado por meu pai. Achava tudo festa. Tudo legal. Mas, em poucas palavras, não tinha um time. A primeira vez que me vi, de fato, torcendo para a Desportiva foi em 13 de novembro de 1994. Eu tinha 12 anos, recém-completados. Era o dia do jogo de ida da semifinal da Série B do Campeonato Brasileiro de 1994, contra o Goiás. O gol de Mário Matador, o segundo da vitória grená por 2 a 0, levou o estádio ao delírio, numa comemoração emocionante, a começar por ele, em campo.

Esta cena foi a primeira a alimentar minha paixão pelo clube. Mário no alambrado, a euforia, todo mundo vibrando. Algo impactante o suficiente para me tornar torcedor da Desportiva. Curiosamente, anos depois, quando revi o gol de Mário, confesso que pensei: "Na minha cabeça, esse gol tinha sido até mais bonito". Na verdade, aquele jogo havia sido tão especial para mim, que, com o passar do tempo, minha imaginação tinha se encarregado de torná-lo algo meio surreal. A comemoração, o jogo, aquela tarde tinham ganhado contornos quase épicos na minha memória infanto-juvenil.

Hoje faz quinze anos que isso aconteceu. E aproveitando o ensejo da data, inauguro no blog um espaço para aprofundar o resgate dos ídolos ferroviários, como o livro, em parte, já fez. É uma espécie de "Hall da Fama Grená", que espero que faça sucesso e seja bem recebido pelos torcedores. O primeiro, por motivos óbvios, é ele, Mário Matador. O atacante cujo gol abriu de vez as portas para a minha paixão grená. Foi uma conversa não muito programada, por isso até a falta de fotos do Mário de ontem e de hoje. Em breve faremos esse complemento. Por enquanto, a seguir, um breve perfil de Mário e um papo muito bacana com nosso eterno "matador", com seu lado extrovertido, de quem apelidava os gols, e verdadeiro, contando histórias que nosso encanto pela bola costuma esconder.

Bruno Marques

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Nome: Mário Antonio Ferreira
Apelido: Mário Matador
Idade: 37 anos (24/01/1972)
Carreira: Desportiva (1991), Tupy (1991), Desportiva (1992), Vitória (1993), Desportiva (1994 a 1996), Atlético-PR (1996), Apucarana-PR (1997), Rio Branco (1997), Serra (1998), Linhares (1999), CSA-AL (2000), Veneciano (2001 e 2002) e Tupy (2003).
Títulos pela Desportiva: Campeonatos Capixabas de 1992, 1994 e 1996.
O que faz hoje: motorista da Secretaria de Turismo do Espírito Santo


Autógrafo de Mário Matador, eterno ídolo da Desportiva Ferroviária

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ENTREVISTA: MÁRIO MATADOR

BRUNO MARQUES - EM PRIMEIRO LUGAR, COMO SURGIU SEU APELIDO?
MÁRIO MATADOR - Quem inventou foi o já falecido locutor de rádio Horácio Carlos. Um dia, estávamos conversando na arquibancada do Engenheiro Araripe, e ele virou para mim e perguntou se eu faria gol no dia seguinte. Eu disse que faria. Ele comentou que eu estava matador igual ao Evair, que na época estava muito bem no Palmeiras-SP. Falou: "Tá, aí. Amanhã, se você fizer um gol, eu vou fazer uma brincadeira com você". No jogo, contra o Rio Branco, eu perdi um pênalti. Depois, houve outro pênalti. Olhei para o banco e perguntei: "Quem bate?" O técnico: "É você mesmo, ué?" Fui lá e fiz o gol. O Horácio na hora colocou o apelido. Pegou.

ALÉM DE FAZER MUITOS GOLS, VOCÊ TINHA O COSTUME DE COLOCAR NOME NELES, NÉ? VOCÊ CHAMOU DE "CAPIRIOCA" O GOL SOBRE O FLAMENGO, NAQUELE AMISTOSO QUE A DESPORTIVA VENCEU POR 2 A 1, EM 1994. ERA UMA COISA QUE VIOLA, TÚLIO MARAVILHA TAMBÉM FAZIAM. COMO ISSO TUDO COMEÇOU?
Na verdade, foi de uma forma muito curiosa (risos). Dirley (goleiro) era muito engraçado, brincalhão. Adorava ficar vendo Chaves e Chapolin, na televisão. Numa dessas, em 1994, eu brinquei com ele e falei que, no dia seguinte, contra o Estrela, no Estádio Sumaré, em Cachoeiro de Itapemirim, eu faria o "gol Quico" (personagem do programa do Chaves). Ficou a maior palhaçada. Todo mundo naquela bobeira: "Faz, faz!" (risos). No dia seguinte, fiz o gol, fui correndo até a trave e chorei (imitando o Quico) (risos). Ficou todo mundo doido. Aí, falei: "Na semana que vem, farei o gol Chaves", e não parei mais. Vi que o pessoal foi gostando. E deu certo também porque a fase era boa. A bola batia em mim e entrava. Os adversários ficam p... da vida!

O ANO DE 1994 FOI ESPECIAL, NÃO FOI?
Foi o grande momento da minha carreira, com certeza. Naquele ano, fiz 17 gols no Capixabão e mais 17 na Série B do Brasileiro. Nas duas, fui vice-artilheiro. No Estadual (em que a Desportiva foi campeã), Jorginho Schilaci, do São Mateus, fez 18. Na Série B, só perdi para o Baltazar (o "artilheiro de Deus"), do Goiás, que fez 20. Nosso time era muito forte.

QUAL FOI O SEU GRANDE COMPANHEIRO EM CAMPO?
Ah, foi o Welder. Ele jogava demais. Um já sabia como o outro jogava. Chegaram a nos chamar de "casal 20 capixaba".

E O SEU GOL MAIS MARCANTE?
Foi contra o Alfredo Chaves, pelo Capixabão de 1994. Nós vencemos por 4 a 1 (resultado que levou a Desportiva à liderança), e eu fiz os quatro gols. Num deles, o Valtinho (meia) cruzou para mim, da ponta. Eu estava no centro da área. Matei a bola no peito, mas ela subiu muito. Nisso, eu pensei rápido e fui conduzindo a bola dando três cabeçadinhas. Aí, o goleiro saiu e eu dei uma última testada, mais forte, encobrindo ele. Foi um golaço mesmo.

INFELIZMENTE, 1994 TAMBÉM RESERVOU ALGUMAS TRISTEZAS, NÉ? COMO FOI AQUELA SEMIFINAL DA SÉRIE B DO BRASILEIRÃO, CONTRA O GOIÁS? HOUVE MESMO MANIPULAÇÃO DE RESULTADO? E OS BOATOS DE SUBORNO A JOGADORES DA DESPORTIVA?
Na época, a gente olhava para o Goiás, respeitava, claro, mas não achava que a gente era menor ou pior, não. Não passava pela nossa cabeça não subir para a Primeira Divisão (do Brasileiro). Era nossa grande oportunidade. Nós ficamos numa euforia grande. Aqui (no Engenheiro Araripe), poderia ter sido por um placar maior. Mas 2 a 0 foi um bom resultado. Depois, lá, nós fomos roubados. Os boatos sobre suborno de alguns jogadores eu só soube pela imprensa depois. Não vi nada. O que houve foi que em Goiás nos garfaram. Antes do jogo, era um telefonema atrás do outro para o hotel, nos ameaçando. Mas coisa que é até normal. No jogo, tomamos um gol, mas estávamos bem. Até que o juiz (Edmundo Lima Filho) inventou um pênalti e eles fizeram o 2 a 0. Nem acreditei quando ele marcou. No vestiário, bateu um baixo astral danado. É difícil você ser desclassificado por um erro absurdo de um juiz. Olhávamos para a cara uns dos outros e falávamos: "E, aí? Não vai acontecer nada?" E não aconteceu nada. Ficou tudo daquele jeito. Nos prejudicou muito. Acho que se eu tivesse ido para um clube grande ali, teria embalado...

VOCÊ CHEGOU A SAIR DO ESTADO, EM 1996. COMO FOI SUA PASSAGEM PELO PARANÁ?
Lá no Atlético-PR eu fiquei poucos meses. Paulo Rink e Oséias estavam voando, jogando muito. Daí, fui emprestado no Estadual (1997) para o Apucarana, onde acabamos ficando em quarto lugar. Mas a questão toda foi no jogo entre Atlético-PR e Apucarana-PR, na última rodada. O Atlético disputava o título com o Paraná, que precisava tropeçar para o Atlético ser campeão. Eu estava emprestado pelo Atlético ao Apucarana, mas não havia cláusula que me impedisse de enfrentá-los. Mesmo assim, eles quiseram impedir. Nas sexta-feira, acabaram liberando. Mas, no domingo, no vestiário, veio uma ordem para eu não jogar. Não gostei. Uns diretores me falaram para fazer como eu quiser, que a responsabilidade era minha. Pensei: "O Apucarana está pagando meu salário, estamos brigando pelo título do interior, vou jogar". Oséias fez 1 a 0 para o Atlético. O Paraná seguia empatando. Veio um cruzamento, Ricardo Pinto (goleiro do Atlético-PR) não segurou, e eu fiz o gol de empate. O gol que deu o título para o Paraná. Depois do jogo, o Petraglia (então presidente do Atlético-PR) passou por mim, bateu no meu ombro e me disse: "Não precisa nem passar na Baixada mais. Pode voltar direto para Vitória".

MAS VOCÊ TAMBÉM VIVEU EPISÓDIOS ENGRAÇADOS...
Vários. Me lembro de um, muito engraçado, porque foi algo que nunca vi igual (risos). Fomos jogar no Arruda, contra o Santa Cruz-PE. O estádio cheio. A gente no vestiário. Ia começar a preleção do Traspadini (técnico). De repente, a gente começa a ouvir a torcida vibrando. A gente: "Ué, mas não tem preliminar. Eles estão comemorando o quê?" Quando a gente sobe o túnel para ver, está Alex Santana e outro baixinho, que eu acho que era o Glaedson, sei que era um dos menores do time, os dois com roupa de goleiro, fazendo o aquecimento como se fossem goleiros (risos). Um chutava para o outro levar frango. A torcida deles olhando aquilo e morrendo de rir. Os caras foram à loucura. No mínimo, estavam pensando: "Com esses caras, nós vamos enfiar uns 8 a 0" (risos). Eles fizeram aquilo só para sacanear a galera.

[Observação: Mário não soube precisar a data. Mas a Desportiva Ferroviária enfrentou o Santa Cruz, no Estádio Arruda, em Recife-PE, três vezes em 1994 e em 1995, tendo o episódio contado por ele se passado, com certeza, em uma dessas partidas. Em 1994, foram um empate em 2 a 2 e uma vitória grená por 3 a 1. Em 1995, nova vitória da Desportiva. Dessa vez, por 2 a 1]

O QUE SIGNIFICA A DESPORTIVA PARA VOCÊ?
Foi praticamente a minha vida ou, pelo menos, a minha segunda casa. Entrei lá aos nove anos. Era um menino magrinho, com as pernas finas... Eu morava em Canaã, em Viana. A Desportiva, com a força que tinha da CVRD, me deu tudo que eu precisava. Eu passava o dia lá. Quando passo em frente ao Engenheiro Araripe, lembro das coisas boas, das amizades. Muitos garotos que jogariam nos anos 1990 no time foram criados juntos lá. Na base, era uma família de verdade. E a gente ficava sonhando em chegar no time de cima. Me lembro de ver o Edu Bala (ex-Palmeiras-SP, São Paulo-SP e Seleção Brasileira), treinando no Araripe, no time principal. Eles eram uma motivação e tanto. Via os caras na televisão e, de repente, eles estavam ali. Que nem o Washington, ex-Fluminense, o Andrade, ex-Flamengo, o China... Era um orgulho para nós chegarmos ao time principal. você tinha ídolos para te inspirar, na sua frente. Hoje, é bem diferente.

VOCÊ ACOMPANHA OS JOGOS DA DESPORTIVA (CAPIXABA) HOJE?
Os caras, amigos e alguns torcedores, ficam bravos comigo quando falo isso, mas, para mim, essa Desportiva atual não significa nada. A Desportiva, para mim, era a Ferroviária, que, aliás, quando fez a negociação (em 1999), disse que ia pagar as dívidas. Até hoje estou correndo atrás dos meus 15% da transferência para o Atlético-PR, em 1996. Não me pagaram até hoje. E é um dinheiro que me faz falta. Daria para eu arrumar minha casinha. Não ia precisar viver de aluguel. Merecíamos mais transparência, mais carinho. Hoje, eu sinto pena da Desportiva. Sinto tristeza. Passo lá e vejo aquele patrimônio que ela tem se acabando. É o lugar onde eu morava. É como se destruíssem algo meu, a minha casa...

O QUE VOCÊ GUARDA DE MELHOR DO FUTEBOL?
Os amigos que você faz no futebol te dão muita alegria. Até hoje temos uma turma que se vê, que convive. Eu, Clifton (ex-lateral-esquerdo e meia), Luís Carlos (goleiro), Welder (atacante), Mauro Soares (ex-meio-campo, hoje treinador)... Fazemos encontros. Outros, a gente perde um pouco de contato, mas fica o carinho. No Linhares, em 1999, por exemplo, eu formei dupla de ataque com o Léo Moura (hoje, lateral-direito do Flamengo-RJ). Era até engraçado. Os pais dele ligavam para mim: "Mário, cuida direito do meu filho". Ele vivia na minha casa. Era bem garoto. Fico feliz de vê-lo assim. O Sávio é outro. Quando ele voltou ao Estado, encontrei ele. Foram me apresentar. Pensei: "Ele não vai me reconhecer". E ele: "Mário, você tá gordinho, hein!" Nós jogamos juntos na base, durante muito tempo. Meu pai, Geraldo, e o pai dele, Seu Mazinho, faleceram há pouco tempo. Era engraçado que quando a gente era novinho, na base da Desportiva, a gente era muito franzino. Às vezes, nos barravam. Aí, meu pai e o do Sávio apostavam que nós iríamos entrar e virar os jogos e que depois eles iam sair para beber. O problema é que a gente sempre virava os jogos. Eles viram que tinham que parar com aquela aposta senão iam ficar tão bêbados que não iam conseguir levar a gente de volta para casa (risos).

O CARINHO DO TORCEDOR TAMBÉM É PARA SEMPRE...
O Mauro Soares, lendo o seu livro (Os trilhos da história - Memórias da Desportiva Ferroviária), virou para mim e comentou: "Nós mesmos não fazemos idéia do quanto que a gente foi importante". Fico feliz. O livro reconhece o nosso valor. Esse reconhecimento dos torcedores da Desportiva, até hoje, me emociona demais, Bruno... Teve um dia que eu estava num restaurante, veio um cara, adulto já, virou para mim e pediu para tirar uma foto. Falei: "tudo bem", mas sem entender muito o porquê. Aí, tiramos a foto e ele falou: "Você não vai se lembrar de mim, mas quando eu era pequeno eu brigava com os outros meninos para entrar em campo de mãos dadas com você... [Mário fica com os olhos cheios d'água]. Isso é uma coisa que não tem preço.

8 comentários:

Anônimo disse...

REalmente o gol que o Mário fez de cabeça tabelando com a propria até as redes foi o gol mais bonito que vi em toda minha vida .Nesse dia eu estava atras das traves ali mesmo do tobogã onde fica a antiga sede da Desportiva.Se foi o gol mais bonito que o mario escpçheu pra mim também foi e olho que não esqueci daquele gol até hoje. Parabéns Mario voce nos deu muitas alegrias e parabens a voces desse blog que estão resgantando a vida da nossa querida TIVA.

raul disse...

Eterno Ídolo Grená !!

AMARAL disse...

eoeoeoeoeoeoeoeoeoeoeo o Mário é Matador
O gol mais bonito que vi na minha vida foi do Mário, contra o Alfredo Chaves em 1994 no Araripe, a Tiva ganhou de 4 x 1 , Mário matou no peito, deu 2 chápeu de cabeça e ainda de cabeça enconbriu o goleiro, coisa linda, delírio total!

choquees disse...

Parabéns Mario Matador !!!! Dava gosto ir ao Ararié ver os jogadores da sua geração em campo! Infelizmente perdemos a identidade, agora so nos resta relembrar as proezas de vocês!

ronaldy disse...

Mario matador ou marinho para os amigos de canaa, é isso ai orgulho da galera grena ter um idolo eterno assim como vc meu amigo mario matador,gols que nao se apagam da memoria ,dias de glorias e alegrias ,saudaes sentimos mas saudade só se sente de passoas que deixam momentos marcantes em nossas vidas,e vc ha claro que deixou, em particular ainda marca ,é isso ai bruno parabens pelo trabalho de mostrar ao mundo nosso eterno idolo e artilheiro,mario matador que ate hoje por onde passa deixa sua marca,sendo artilheiro das competiçoes que disputa valeu mario obrigado por tudo um abraço do amigo. o lele o lala o mario vem ai o bicho vai pegar.

Anônimo disse...

Acredito que minha formação na infância e adolescência se deve muito a esse time. Hoje reconheço que o trabalho em grupo, a disciplina e os valores pessoais aprendidos no Jardim com essa geração, fizeram (e fazem) muita diferença. Assim como muitos aqui, treinava nas categorias de base, dos 11 aos 15 anos disputei campeonatos, copa A Gazetinha, fazia preliminares de grandes jogos da nossa Tiva e o lance de dar a mão ao jogador na entrada no campo é verdade! Quem conseguisse segurar na mão do Mário, do Welder, do Dirley, do Alex Santana, do Morelato, enfim, quem conseguisse estar aqueles 3 minutos próximo do seu jogador preferido era privilegiado. Sinto saudades da Ferroviária e torço para que volte tão breve. Parabéns ao editor do blog, espero novas entrevistas.

Alexandre compras disse...

Sou muito feliz em conhecer uma pessoa de caracter maravilhoso e um ótimo jogador como Mário Matador. Um abraço

Nélio Rêges Gonsalves disse...

Lembro-me como se fosse ontem, na época eu jogava nas categorias de base da Tiva, sempre via o Mário chegando pra treinar, passando pela roleta e seguindo em direção ao vestiário do profissional. Quero agradecer ao Bruno Marques pelo espaço dedicado à antiga Desportiva Ferroviária. Abraço a todos !!!